Mente de iniciante

Um dos segredos mais profundos de aprender qualquer coisa nova é manter o que é chamado de “mente de iniciante”.

Mas o que é uma mente de iniciante? Parte disso é muito bem descrita na famosa história Zen conhecida como:

Esvazie sua xícara
Um professor universitário foi visitar um famoso mestre ZEN. Enquanto o mestre calmamente servia o chá, o professor falava sobre o ZEN. O mestre encheu a xícara do seu visitante até a borda, mas não parou e continuou servindo. O professor viu a xícara transbordando e inicialmente nada falou, mas em certo ponto não pôde mais se controlar: “Está cheio! Não cabe mais nada aí dentro!”, esbravejou o professor. “Você é como essa xícara,” respondeu o mestre, “Como posso te mostrar sobre ZEN sem que você antes esvazie sua xícara?”

Então para começar, precisamos todos esvaziar as nossas xícaras de idéias pré-concebidas, conceitos e métodos que nos previnem de receber o novo. Inicialmente isso parece uma coisa fácil de se fazer, mas na prática pode se mostrar um tanto difícil. No começo pensamos que estamos com nossas xícaras esvaziadas, mas à medida que bebemos do novo conhecimento nós detectamos um “gosto residual” do “velho”. Algumas vezes essa mistura pode ser doce, como quando adicionamos mel no chá, mas algumas vezes até mesmo um pequeno resíduo pode estragar toda a mistura, como quando se adiciona suco de limão ao leite. Nós precisamos não somente esvaziar nossas xícaras, mas garantir que temos um “recepctáculo limpo”, para que assim possamos sentir a “essência real” do novo conhecimento.

Outra parte importante de desenvolver uma mente de iniciante é se livrar do conceito “Já estive lá, já fiz isso”, que parece ser prevalente na sociedade atual. Pode até ser verdade que você já esteve lá, e você até pode ter feito isso, mas talvez seu conceito de realidade não foi o conceito completo “a figura maior” (N do T: “the big picture”) se você desejar. Segue uma versão de outra famosa história que pode ajudar nos na busca do entendimento da mente de iniciante.

A essência de um Elefante

Para o aprender estes seis homens de Indostan eram muito inclinados, e todos eles foram ver o Elefante (Embora todos eles fossem cegos), e pela observação cada um deles iria satisfazer sua mente.

O primeiro se aproximou do Elefante, e por acidente caiu contra a sua larga e rígida lateral. De uma só vez, começou a gritar: “Deus me abençoe! Mas o Elefante é muito parecido com uma parede!”.

O segundo, sentindo suas presas, chorou: “Ho! O que temos aqui, tão redondo, liso e afiado? Para mim, está bem claro: esta maravilha de Elefante é muito parecido com uma lança!”

O terceiro se aproximou do animal, e terminou por tocar na tromba do Elefante com suas mãos. No ato, o mesmo falou: “Eu vejo, o Elefante é muito parecido com uma cobra!”.

O quarto terminou tropeçando e caindo sobre um dos joelhos do Elefante: “Com o que essa maravilhosa monstruosidade se parece está muito claro: O Elefante é muito parecido com uma árvore!”.

O quinto, que teve a chance de tocar a orelha, falou: “Até o  homem mais cego pode dizer o que isso se parece mais; Neguem os fatos quem quiser, mas esta maravilha de Elefante é muito parecida com um ventilador!”

O sexto não demorou muito para começar a opinar; chegando pela traseira do elefante, sentiu sua cauda balançando e, baseado no que caiu em seu escopo, falou: “Eu vejo – o Elefante é muito parecido com uma corda!”.

Então esses seis homens de Indostan disputaram em alto e bom som. Cada um com sua opinião, agarrou-se à mesma com unhas e dentes. Apesar de cada um estar em parte certos, ainda assim todos estavam errados!

John Godfrey Saxe (1816-1887).

Esta história é muito introspectiva, mas e se a história acima tivesse acontecido com um único homem cego em seis diferentes ocasiões? A cada vez o seu conceito de um elefante mudaria, cresceria e seria aperfeiçoado. Mas se o hipotetico homem cego tivesse parado após a primeira ocasião, o conceito de “Estive lá e já fiz isso” estaria preso num nível menor de entendimento. Ele se perderia por não entender a figura maior.

Um dos últimos e finais elementos para desenvolver uma “Mente de iniciante” é desenvolver um senso de admiração, incredulidade (N do T: será que o que eu sei é certo? Será que podem exisitr outros pontos de vista aos quais eu não estou ciente?), de sentir-se empolgado e maravilhado ao se aproximar ou reaproximar de um assunto para investigação. Um senso de que você pode aprender algo novo, mesmo que este seja um assunto que você já explorou anteriormente. Que se você mantiver amarras em procurar sempre por coisas novas, este fato em sí só pode ser muito empolgante, maravilhoso e admirável.

Existe muito mais a ser descoberto e discutido sobre a “Mente de iniciante”, mas devo retornar a este elefante no futuro pois no momento minha xícara está cheia, e eu prefiro esvazia-la, sorvendo seu excelente gosto.

Para o fechamento, gostaria de deixa-los com uma citação do Mestre James Lacy: “O mais simples é o mais profundo.”

Este artigo é uma tradução do artigo “Mente de iniciante por Darren Henson”, de Darren Henson, em tradução livre pelo autor deste blog.

Fonte; http://www.ironpalm.com/beginner.html

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2 comments

  1. Ótimo texto. Agora, categorizar em “Saco de Lixo” é foda.

  2. Lendas, categoria ajustada após protestos 🙂

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